A APRENDIZAGEM DO AUTISTA

O autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser definido como um distúrbio de desenvolvimento. É descrito como um espectro, pois as características podem variar do leve ao mais severo, compromete o desenvolvimento normal e se manifesta antes da idade de 03 anos afetando nos indivíduos a interação social a comunicação e o comportamento, essas dificuldades faz com que as crianças com o TEA, sejam bastante limitadas em todo o processo de ensino aprendizagem.

Em 1943, Leo Kanner, psiquiatra infantil nos EUA, usou o termo “autismo”. São chamadas autistas as crianças que não conseguem estabelecer relações normais com outros e possuem atrasos na aquisição da linguagem e apresentam estereotipias gestuais, e se mantem imutável ao ambiente material em que estão inseridas.

Educar uma criança diagnosticada com autismo tem sido um grande desafio para todos os profissionais da educação, a falta de conhecimento sobre a síndrome faz com que surgem muitas dúvidas sobre qual a melhor forma de promover a educação para essas crianças e como poderá ser feito as devidas intervenções no seu processo educativo.

De acordo com a LDB/9.394/96 Art. 5º o acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão ter acesso. E a criança autista é também um sujeito histórico e de direitos devem ter ao acesso a educação como qualquer outro cidadão.

Diante de todos os desafios é necessária a busca de conhecimento sobre o espectro do autismo, informações que possibilitem a escolarização do aluno com autismo e que lhes sejam ofertadas oportunidades para que o processo de ensino aprendizagem ocorra de forma eficiente. É preciso que os profissionais da educação sejam capacitados com conhecimento sobre os aspectos do autismo para tornar possível a sua escolarização.

Nem sempre o aluno saberá o que fazer se o professor usar a palavra “Não”.  O melhor será dar-lhe um objetivo, dizer-lhe o que poderá fazer; dar-lhe alternativas de escolha. Não há alunos iguais com autismo, o que funciona para um poderá não funcionar para outro.

O professor ao conduzir a aprendizagem do aluno precisa ser delicado, observador, paciente, mediador, sensível, direto, ciente que nos primeiros momentos não serão fáceis esta comunicação e que o aluno poderá não aceitar alguma restrição dada pelo docente. Então, o professor tem que está preparado para usar novas práticas pedagógicas e estratégias, mostrando para ele maneiras necessárias de resolver problemas, sem que o mesmo tenha reações intempestivas ao conduzir o trabalho.

Quanto às famílias, geralmente as escolas e a família de alunos com autismo trabalham juntas para que haja sucesso no desenvolvimento do aluno. Dentro desse processo de ensino aprendizagem do aluno autista é necessário que haja uma integração da família com a escola.

Apesar de a criança autista apresentar algumas dificuldades, leves, médias ou severas, para seu desenvolvimento cognitivo, comportamental, social, ao tentar interagir com a sociedade em geral, principalmente em sala de aula com crianças “ditas normais” é, preciso incluí-las dentro do contexto geral da escola respeitando as suas especificidades para que a mesma possa aprender e participar, estando incluída e não somente integrada.

Apesar de alguns empecilhos, para obter um bom relacionamento social e evoluir em sociedade como qualquer pessoa normal, é preciso que ele descubra as suas capacidades de produção, de eficácia em algo a ser realizado e que lhe dê prazer.

Ele precisa ter a chance na escola de ser visto pelo educador como um discente que necessita e quer aprender, e para fazer parte daquela sala de aula.

Ao educador, é necessário que o mesmo fique atento quanto ao aluno com alguma anormalidade que em muitos casos vão para a escola sem laudo médico e é o professor com seu olhar sensível e diferenciado, que vai observar algo diferente àquela determinada criança, haja vista que muitas famílias não conseguem enxergar o problema, muitas não querem ver o óbvio, não querendo aceitar esta ou outra anomalia em seu filho, tendo medo de uma descoberta de uma doença grave que vai trazer angústia e apreensão diante do diagnóstico.

A família é uma peça fundamental no tratamento da criança autista, em geral segundo a pesquisa, ela está participando da convivência e contribuindo juntamente com a escola num processo de melhoria para a criança, mas ainda é muito pouco, segundo a escola, é necessário a presença com mais participação e eficácia da família nesta contribuição.

Na teoria, a escola é entendida como tendo o papel principal de educador para a vida social, em resumo, é muito importante que a mesma desenvolva, execute, realize competências pedagógicas de aprendizagens para os indivíduos independentes de suas limitações ou especialidades, possibilitando então um melhor acolhimento e compreensão para com todos os alunos com algum transtorno, em especial o que está em questão: o autista.

REFERÊNCIA:

CHIOTE, Fernanda de Araújo Binatti. Inclusão da criança com autismo na educação infantil: trabalhando a mediação pedagógica – 2 ed. RJ: ed. Wak, 2015.

SANTOS, M. C. D; MANTOAN, M. T. E; FIGUEIREDO, V. F. A educação especial na perspectiva da inclusão escolar. São Paulo: MEC/SEESP, 2009.

Colunista:

Iracy Carmanini

Psicopedagoga Clinica e Institucional;
Especialista em educação especial, deficiências auditiva e cognitiva, Alfabetização e Letramento.

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O Psicopedagogo atua no sentido de prevenir e/ou detectar dificuldades de aprendizagem, promover sugestões metodológicas e educacionais de forma terapêutica: seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio, da família, da escola e da sociedade.