Transtorno do Processamento Auditivo Central – TPAC

A importância do diagnóstico e do tratamento

Você já ouviu falar de TPAC?

Essa sigla representa um transtorno da área auditiva, no qual os estímulos sonoros recebidos pelos ouvidos são MAL PROCESSADOS pelo cérebro, que não entende muito bem a informação recebida pelos órgãos sensoriais.

O primeiro passo para identificar o TPAC (TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL) é descartar a perda auditiva. Na sequência, um Fonoaudiólogo realizada uma avaliação do processamento auditivo. Esses especialistas fazem uma série de testes especiais de audição, onde os pacientes ouvem e respondem a diferentes sons verbais e não verbais.

TPAC frequentemente aparece na infância, mas dificilmente as crianças são avaliadas antes dos 7 anos de idade porque suas habilidades auditivas ainda estão em desenvolvimento. Os adultos e idosos também podem ser avaliados e identificados com essas dificuldades.

Causas:

As causas do TPAC podem ser variadas e muitas vezes desconhecidas. Contudo, as mais comuns são por origem genética, otites de repetição, lesões cerebrais por anóxia ou por traumatismo craniano, presença de outros distúrbios neurológicos, atraso maturacional das vias auditivas do Sistema Nervoso Central ou por envelhecimento natural do cérebro. Por isso, a maior parte dos diagnósticos é feita em crianças e idosos.

Os principais sintomas que podem ser percebidos nas pessoas com TPAC são:

  • Dificuldades em compreender informações em ambientes ruidosos;
  • Dificuldade para entender conceitos abstratos ou duplo sentido;
  • Dificuldade para executar tarefas que lhe foram solicitadas;
  • Dificuldade de memorização em atividades diárias;
  • Dificuldades acadêmicas para ler e escrever;
  • Solicita repetição constante da informação;
  • Fadiga atencional em aulas ou palestras;
  • Demora em compreender o que foi dito;
  • Troca de letras na fala ou escrita;
  • Desatenção e distração; e
  • Agitação.

Nas crianças, é de extrema importância que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes, para que as dificuldades no aprendizado escolar sejam superadas mais facilmente. O cérebro humano tem, principalmente durante a infância, uma grande flexibilidade em seu desenvolvimento, o que é chamado de plasticidade neural. Com o tratamento fonoaudiológico e o apoio de uma equipe pedagógica adequada desde cedo, a criança possuirá muito mais chances de um ótimo desempenho escolar, pois seu cérebro estará sendo treinado a compensar, através da propriedade da plasticidade citada acima, as falhas neurológicas das vias auditivas centrais.

O TPAC não é a única coisa que torna difícil compreender o que as pessoas dizem. Problemas com a memória de trabalho podem causar desafios semelhantes. E as dificuldades de foco que vêm com o TDAH podem tornar difícil prestar atenção quando os outros falam.

O TPAC e TDAH podem ser tão semelhantes que muitas vezes são confundidos e mal diagnosticados. Além disso, as pessoas costumam ter as duas condições.

Outra condição que torna difícil entender o que as pessoas dizem é o Transtorno de Linguagem Receptiva. Mas nesse caso o problema é entender o significado da linguagem, não dos sons.

Há muitas maneiras de ajudar as pessoas com o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) e tornar mais fácil para elas gerenciarem os desafios. Seguem as dicas:

  • Use instruções simples de uma etapa;
  • Fale em um ritmo mais lento;
  • Ofereça um local tranquilopara fazer as atividades;
  • Seja paciente e repita as informações que as pessoas solicitam;
  • Fale com a pessoa sempre de frente e próximo.

As escolas podem dar aos alunos apoio extra em sala de aula sob um plano de educação em acordo com as indicações do Fonoaudiólogo. Por exemplo, as crianças podem se sentar em locais estratégicos da sala, longe de distrações. Ou podem receber instruções escritas em vez de faladas, mais tempo para realizar tarefas e provas, etc. Esses tipos de suporte também podem ser úteis no manejo.

O principal tratamento para o TPAC é a fonoterapia com enfoque nas habilidades auditivas e na neuroplasticidade cerebral. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor.

Colunista:

Silmara Canassa

Fonoaudióloga

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