COMO AJUDAR A CRIANÇA A MANTER O PRAZER DE APRENDER

A psicopedagoga argentina Alícia Fernandez em seu livro Inteligência Aprisionada, cita que “onde circula o amor, circula aprendizagem”.

Daí os pais podem questionar: – Meu filho tem dificuldade na escola. Eu não o amo o suficiente?

Os professores podem pensar: – Como, se escolhi a profissão que amo?

É importante se perguntar (vale para pais e professores):

– Como ensino ao meu filho ou aos meus alunos? Emito tranquilidade, boas energias, positividade?

– Ensino acreditando na sua capacidade de aprender?

– Uso palavras de otimismo e de afetividade ou uso termos pejorativos ou de incapacidade?

– Sou capaz de perceber progressos e elogio meu filho ou alunos a cada novo avanço?

– Esclareço os objetivos da aprendizagem? Procuro mostrar onde está sua importância na vida de cada um? Faço isso demonstrando alegria?

A partir dessas reflexões, você já deve ter percebido a importância de usar os termos corretos, ensinar com alegria e amor para que as crianças e adolescentes mantenham o prazer de aprender.

Já observaram a alegria da criança ao entrar na pré-escola? Após do período necessário à adaptação, ela sente muito prazer em estar na escola e aprender.

Como essas crianças aprendem? Através do lúdico, das brincadeiras e jogos e esses ensinamentos são a base que acompanham o ser humano em todo seu percurso, ao longo da vida.

Já ouviram a frase “Se todo político tivesse passado e assimilado as aprendizagens dos valores e atitudes no jardim da infância, não teriam as atitudes que tristemente observamos hoje…” ?

Pois é, a base para a vida, a aprendizagem de valores e atitudes, estão na pré-escola, na  família e na parceria entre elas. Se a parceria família-escola é o ponto crucial nesse processo, a escola deve desenvolver ambientes cujos espaços se caracterizam não pelo que a instituição deseja, mas por aquilo que é necessário à aprendizagem da criança na idade escolar. Em casa a família deve reafirmar o trabalho feito pela escola, deve-se atentar para os recados na agenda, materiais escolares e, ainda, à resolução das tarefas de casa, que por sua vez podem ser grandes aliadas ao bom comportamento e à responsabilidade.

E assim a aprendizagem se concretiza. Mas aquela alegria continua existindo com o passar dos anos? Nem sempre, infelizmente !

– E por que será?

– Onde está a falha? No sistema? Na falta da ludicidade?

– Da nossa correria e da necessidade dos pais de saírem para trabalhar?

– Ou seria do tratamento dado às crianças?

– Todas têm a mesma facilidade em aprender?

– Por que será que muitas dessas crianças que iam felizes para a pré-escola, passam a não sentir prazer em continuar?

É muito importante que a família se organize e encontre um tempinho do dia para dedicar-se às tarefas escolares, para que as crianças percebam o interesse dos pais. A dedicação de tempo à escola e suas atribuições permitem à criança entender que a escola tem um sentido concreto em sua vida.

É também necessário escolher um tempo para acompanhar os estudos. Sorrir e demonstrar boa vontade é sem dúvida essencial para o desenvolvimento da criança. Ela aprende melhor, desenvolve valores e cria laços com a escola.

Se a criança vai mal na escola hoje, a sociedade terá grandes prejuízos amanhã. Criança feliz, interessada em aprender, que sente prazer em ir à escola, que reconta os fatos do dia aos pais, que demonstra carinho pelos professores, é criança com a mente aberta, é criança com vontade de aprender e de buscar respostas às milhares de perguntinhas que brotam em sua mente.

Para que a criança não perca esse entusiasmo durante a vida escolar, é necessário esse acompanhamento dos pais em casa e na escola: participar de reuniões, saber como seu filho se desenvolve e como se pode contribuir com a aprendizagem e atitudes da criança.

Cabe à escola não perder o sentido do lúdico, mesmo com o currículo mais acirrado do ensino fundamental. Envolver as crianças e adolescentes em atividades criativas, em jogos e projetos, contextualizando as atividades, fazendo um trabalho interdisciplinar, para que os ensinamentos se tornem significativos e motivadores. Fazer do espaço escolar um espaço múltiplo de aprendizagem, um ambiente que vise além do cognitivo, também o emocional e o afetivo da criança, como descreveu Wallon.

O brincar, o jogar, o colorir, o correr e outras atividades pedagógicas requerem da criança compreensão dos significados da socialização, do conhecimento da capacidade de seu corpo, e contextualizá-las com atividades das áreas de conhecimento é um construtor de oportunidades.

O cumprimento de normas e a atribuição de deveres são tão essenciais à aprendizagem quanto o brincar. Não existe educação possível sem limites, sem boa convivência, sem disciplina e essa educação também é internalizada através de regras de jogos e limites nas brincadeiras e na rotina dia a dia.

A família não deve ser dura nem rígida: deve conhecer, valorizar e dar sequência ao trabalho da escola, para que a criança entenda que brincar, jogar e ter limite faz parte do aprender.
A aprendizagem aqui mencionada deve ser vista e entendida integralmente, não pode ser isolada, deve ser compartilhada e reafirmada no compromisso familiar. A promoção da aprendizagem escolar não teria sucesso algum se não pela boa vontade da família. Levar a criança à escola é muito fácil, o maior desafio não é criar novos ou melhores métodos de aprendizagem, mas sim reafirmar a importantíssima necessidade de integração entre o trabalho da escola e o compromisso da família pela aprendizagem escolar.

Estando em sintonia família e escola, a criança vai se sentir parte desse projeto, cujo objetivo é perceber o prazer em aprender, e fazer para acontecer.

A aprendizagem significativa depende desse processo. Esta sim, fará a diferença. Pensem nisso!

Referência

FERNANDEZ, A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre: Artmed, 1991.

GALVÂO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil – Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

Colunista:

Iracy Carmanini

Psicopedagoga Clinica e Institucional;
Especialista em educação especial, deficiências auditiva e cognitiva, Alfabetização e Letramento.

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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