Cuidando de alguém que amo com Alzheimer

Todo ano, em todo o mundo, são diagnosticados 7,7 milhões de novos casos de demência, ou 1 a cada 3 segundos.

Estima-se que de 5% a 8% da população de maiores de 60 anos sofra demência e que o número total de pessoas atingidas pela doença supere os 82 milhões em 2030 e os 152 milhões em 2050. Boa parte desse aumento nos casos virá dos países de baixa ou média renda.

Organização Mundial da Saúde (OMS) já trata a demência como prioridade de saúde pública. E no meio desses dados mensuráveis e amplamente divulgados pela mídia, existe outra realidade que poucos conhecem o cuidador familiar. Aquele que se vê sozinhodespreparado e assustado dentro de uma realidade surreal, desesperadora, irreversível onde alguém amado, mãe, pai, marido, avó, esposa, irmão… é diagnosticado com Alzheimer e a partir daí começa uma descida ao pior momento de sua história.

familiar cuidador experimenta diversos sentimentos diante das perdas que envolvem o adoecer, mas diante do Alzheimer também está ligado desconforto pelo fato do paciente não poder dar se expressar adequadamente. Entre outras consequências da doença, a perda da memória faz com que ela seja devastadora para a família.

A   necessidade   da   assistência   permanente   ao doente leva o cuidador familiar a se dedicar-se um número de horas aos cuidados, que pode levá-lo à exaustão e ao esforço físico além de suas possibilidades, também cansaço e exaustão psicológica. Muitas o estilo de vida desse cuidador/familiar é alterado, causando diminuição das horas de lazer e ruptura convívio social.

adaptação da família às mudanças será favorecida quando os membros se unirem em torno dos problemas (coesão), conseguirem se comunicar de forma eficiente e aprenderem a lidar com mudanças frente à necessidade das atividades e do poder de decisão do paciente denunciado.

Diante das perdas geradas pela demência, a família passa a ter que lidar não somente com a presença do paciente, mas com a ausência do familiar. A doença e o doente ficam evidentes, mas a pessoa, com sua identidade própria, deixa de ter sua participação nítida e passa a não ser mais reconhecida por seus atos, gerando sofrimento e, sobretudo, reorganização nos relacionamentos. Deve-se buscar a manutenção da identidade familiar e a garantia de qualidade do relacionamento, o mais importante fator que contribui para a adaptação familiar.

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Diante de todas as mudanças provocadas no paciente com a Doença de Alzheimer e do novo contexto familiar, o familiar-cuidador precisa conciliar atividades frente ao acúmulo de tarefas, provendo cuidado adequado ao paciente, sem deixar de lado sua vida pessoal e familiar. Esse é um desafio que dificilmente é vencido sem apoio. Alguns familiares-cuidadores assumem o papel de mártires e querem tudo do seu jeito, não permitindo aproximação ou divisão de tarefas. Delegar funções, ter tempo para descansar ou distrair-se sem extrema responsabilidade pode ajudar a enfrentar a tarefa de cuidado. Tornar o percurso mais leve pode garantir boa qualidade de vida. Para tanto, seguem algumas dicas:

-Investir em autocuidado com manutenção de rede social e apoio familiar com momentos de busca de satisfação pessoal.

-Conciliar atividades frente a acúmulo de tarefas: cuidado e vida pessoal e familiar.

-Lidar com estresse buscando alternativas de divisão de tarefas e aceitação de perdas.

-Oferecer oportunidade de autonomia para os pacientes avaliando sua capacidade para tomada de decisão.

-Oferecer cuidado adequado e estabelecer relacionamento de qualidade com pacientes.

É importante ressaltar que o grau de sobrecarga percebido pelo cuidador pode estar relacionado com o tempo de cuidado dispensado, velocidade de progressão da perda cognitiva do paciente e problemas comportamentais associados ao quadro de demência, como no caso da depressão ou de alucinações e delírios.

Algumas reações emocionais do familiar-cuidador também podem intensificar o estresse como amplo sentimento de responsabilidade com exacerbação de culpa por problemas, reações emocionais envolvendo vergonha, culpa, preocupação, depressão e ansiedade e situações sociais embaraçosas resultantes de estigma e discriminação.

A redução do estresse pode ser encontrada no apoio emocional, social e familiar. O cuidador precisa ser cuidado, para suportar perdas, construir alternativas e aproveitar possibilidades.

Passar por acompanhamento terapêutico pode ser indispensável nesse período.

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Fonte:

www.johnypsicologia.com.br

www.abraz.org.br

Colunista:

Johny Santos

Psicólogo

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.
Sigmund Freud

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