Mastectomia e acompanhamento psicológico

O câncer (resultado de multiplicações desordenadas de determinadas células que se reproduzem em grande velocidade, desencadeando o aparecimento de tumores) de mama é uma doença que ainda hoje, é capaz de desencadear diferentes tipos de sentimentos, questionamentos e debates. Trata-se de uma condição que afeta milhares de mulheres em todo o mundo, e que apesar dos avanços técnicos, científicos e operacionais no campo da Medicina, ainda possui elevadas taxas de mortalidade. Diante disso, ser diagnosticada com o câncer de mama e ter que se submeter aos diversos tipos de tratamento, incluindo a mastectomia (intervenção cirúrgica), pode desencadear consequências negativas para o psicológico e para o fisiológico dessas mulheres.

A condição de estar com o câncer é permeada por tabus e estereótipos sociais. Por isso, ser diagnosticada com a doença, pode-se levar ao desenvolvimento de angústias, medos e questionamentos, no que diz respeito à sua própria identidade feminina e em relação à sua aceitação social.

Normalmente este quadro se agrava quando a mulher passa por algum procedimento durante seu tratamento como por exemplo a necessidade de uma intervenção cirúrgica, conhecida como mastectomia; nem sempre a intervenção cirúrgica é necessária, sendo nesses casos o tratamento feito por outros meios, como, por exemplo, através da radioterapia e/ou quimioterapia. Entretanto, quando se faz preciso, a mastectomia é capaz de desencadear preocupações, medos, insegurança e descontentamento nestas pacientes, pois muitas questionam sua identidade feminina e sua aceitação social após a cirurgia.

Aspectos Emocionais

Os sentimentos negativos diante da doença e tratamento podem evoluir para quadros de ansiedade grave e até mesmo depressão. Além disso, estudos apontam que problemas psicológicos podem reduzir a responsividade do sistema imunológico, além de possibilitar um aumento na taxa de não adesão ao tratamento.

Diante das alterações emocionais e psicológicas vivenciadas pelas mulheres submetidas à mastectomia, o acompanhamento psicológico pode funcionar como um potente e benéfico recurso terapêutico. Em sua atuação, o psicólogo deve estar atento também aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. Sua prática é exercida em todas as etapas do tratamento, habilitando o paciente a confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar as situações estressantes.

O cuidado com os aspectos emocionais e psicológicos deste grupo de pacientes é necessário, não apenas no momento da confirmação do diagnóstico, mas também durante e após o tratamento. Isso se justifica, principalmente, pelo fato de que, as alterações nos aspectos citados são capazes de desencadear problemas físicos e biológicos que podem influenciar negativamente a evolução e o tratamento da doença.

Portanto, o câncer de mama implica um elevado grau de comprometimento na autoimagem corporal, o que pode acarretar danos ao conceito que se tem de si próprio e à aceitação ou não da própria sexualidade dentro do relacionamento sexual, visto que a mulher está carregada de sentimentos de intensa insegurança e medo.

A percepção do próprio corpo é fundamental tanto para se lidar com a própria sexualidade como para se relacionar com o outro. Por causa da importância simbólica do seio, que representa a característica primordial da sensualidade, maternidade e da identidade feminina, alterações psicossociais podem ocorrer nas pacientes que não aceitam a perda do seio. A mutilação altera a autoimagem e o autoconceito, levando as mulheres a se sentirem desvalorizadas, envergonhadas e repulsivas, evitando contatos sociais e sexuais. Assim, quando a mulher necessita retirar a mama devido ao câncer, sentimentos de angústia e dor estão sempre presentes.

É de grande relevância que todas as pacientes diagnosticadas com câncer de mama tenham um adequado suporte psicológico durante todas as fases do tratamento. A incerteza quanto à doença, sua recorrência e disseminação metastática promovem, nas pacientes, um forte desgaste emocional, que pode ser beneficiado pela avaliação e acompanhamento psicológico. O psicólogo atuante na área de psicologia oncológica ou hospitalar visa manter o bem-estar psicológico da paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde. Além disso, deve ainda prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levar a paciente a compreender o significado da experiência de adoecer, possibilitando assim, ressignificações desse processo.

Mesmo após ter passado por todas essas fazes é necessário que a mulher continue o processo terapêutico fora do âmbito hospitalar para ajudá-la quanto a todas essas questões citadas acima.

Fontes:

VENÂNCIO, Juliana Lima. Importância da Atuação do Psicólogo no Tratamento de Mulheres com Câncer de Mama. Revista Brasileira de Cancerologia; 50(1), p. 55-63; 2004.

Impacto da mastectomia na vida da mulher. ALMEIDA, Raquel Ayres de. Rev. SBPH [online]. 2006, vol.9, n.2, pp. 99-113. ISSN 1516-0858.

Colunista:

Johny Santos

Psicólogo

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.
Sigmund Freud

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