Meu filho falava e agora regrediu o que está acontecendo?

Em tempos de pandemia, com o isolamento social (6 meses) , escolas fechadas , a rotina das crianças foi interrompida bruscamente e com isso vem as mudanças no desenvolvimento e comportamento infantil. Os pais relatam atrasos na fala, alterações do sono, humor e apetite e até mesmo regressão para a faixa etária dos filhos.

A crise sanitária provocou uma ruptura brusca em um fator importante no desenvolvimento da primeira infância, a rotina. Mesmo crianças que não frequentavam a escola sofrem com as mudanças impostas, como a falta de contato com outras pessoas e a vivência fora de casa.

Especialmente nas crianças de zero a 5 anos de idade a memória e o desenvolvimento, estão ligados à experimentação, por isso, as alterações se manifestam mais rapidamente do que em outras faixas etárias. Privadas de novas experiências, as crianças recorrem a comportamentos anteriores, que já dominavam, por isso as regressões.

Durante a pandemia, pais com filhos idade pré-escolar podem encontrar dificuldade para entender como seguir ensinando em casa até a volta das aulas atualmente suspensas. Diferente das crianças mais velhas, os pequenos matriculados nas escolinhas de educação infantil ainda não acompanham aulas à distância ou têm grade curricular a cumprir durante o ano letivo. Para as crianças menores, o aprendizado acaba acontecendo de maneira mais livre, durante o dia todo, com a realização de algumas atividades para estimular habilidades específicas. Por isso, os pais devem abrir espaço para brincadeiras, propor bastante movimentação física e incluir a criança na rotina de tarefas da casa. Segundo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento do Ministério da Educação que norteia o ensino no país, durante a educação infantil o principal é promover interações e brincadeiras, por meio das quais a criança se desenvolve emocional e cognitivamente. Ou seja, a palavra de ordem é estimular. Do zero aos cinco anos, a criança está formando várias habilidades que serão fundamentais para o aprendizado pelo resto da vida escolar. Entre elas, o desenvolvimento motor, trabalhado na primeira infância com atividades como correr e pular. Estamos falando aqui da movimentação física intensa, e desafios como encaixar formas, equilibrar coisas, contornar obstáculos, jogar bola e até mesmo fazer uma guerra de almofadas. Outra competência importante, a linguagem, pode ser trabalhada com o uso de livros e, principalmente, muito diálogo com os pais.

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Quando procurar um especialista?   

Vale relembrar que o desenvolvimento de linguagem da criança segue algumas etapas e que cada criança tem suas particularidades, mas, em geral, há etapas semelhantes a serem cumpridas de acordo com a idade e o desenvolvimento cognitivo, a seguir:

0 a 12 meses

  • É o estágio “pré-linguístico”. A criança não usa palavras, é um estágio preparatório da linguagem como a conhecemos.
  • A criança se comunica com as pessoas. Chora se está com fome, com frio ou se a fralda precisa ser trocada, sorri socialmente, vocaliza e grita para exigir que seja atendida.
  • É hora do choro diferenciados. A mãe é capaz de entender cada uma das suas mensagens. Ela sabe se o choro é por causa da fome ou do frio, já que em cada caso existem nuances diferentes.
  • A criança brinca com os sons. Com o passar dos meses, a criança aprende a pronunciar vogais e algumas consoantes como por exemplo; “papapa”, “mamama” e “padada”.
  • No final dessa etapa a criança participada do diálogo e pode repetir e produzir algumas palavras simples como “mimi” e “papa”.

12 a 24 meses

  • Nesse período, a criança entende as ordens e as cumpre.
  • É capaz de usar palavras simples. Geralmente, são substantivos que se referem a objetos conhecidos.
  • Aponta figuras ou objetos nomeados pelos pais e faz pequenas intervenções a respeito de uma história curta que esteja escutando.
  • Reconhece o próprio nome e apelido, respondendo quando é chamada.
  • Há crianças que chegam ao final desse período com um domínio muito bom de vocabulário e estruturas linguísticas. Essa evolução depende, em grande parte, do estímulo que ela recebe das pessoas ao seu redor.

2 a 6 anos

  • Nessa fase a criança irá combinar palavras em frases simples e elas vão se tornar cada vez mais complexas e melhor estruturadas até chegar a narrativa com maior organização.
  • Até os 6 anos, a criança ainda pode apresentar alguns problemas na produção de grupos consonantais, como por exemplo em “prato” – “pato”.
  • O nível de compreensão também se desenvolveu, e, além disso, a criança inicia e matem a conversação por muitos turnos, com vários interlocutores, sobre temas abstratos.

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Você sabia que pode colaborar muito com o desenvolvimento da linguagem do seu filho? 

A participação da família nos primeiros anos de vida da criança é fundamental para ajudá-la a desenvolver sua fala, abaixo algumas dicas que podem ajudar você a estimular a fala do seu filho:

-É muito importante conversar bastante com a criança desde o nascimento, por isso, aproveite os momentos como a hora do banho, de vestir, das refeições, brincadeiras e passeios, para estimulá-la, dizendo o nome e as funções ou qualidades dos brinquedos, objetos, partes do corpo, alimentos.

-Ao conversar com a criança, busque ficar mesma altura e olhe para ela.

-Com crianças menores, utilize palavras simples e frases curtas.

-Pronuncie corretamente as palavras, usando boa articulação e entonação. Evite falar de forma infantilizada, utilizando diminutivos, ou pedir para que ela repita palavras.

-Dê a criança oportunidade para falar. Não atenda prontamente quando ela tentar se comunicar por meio de gestos, mesmo que você saiba o que ela deseja. Você pode perguntar a criança, por exemplo, se ela quer água e aguarde até que ele responda.

-Reforce de forma positiva qualquer tentativa de fala da criança, mesmo que a palavra seja produzida de forma incorreta.

-Quando a palavra for produzida de forma incorreta, devolva a criança de maneira correta, como por exemplo, a criança pede “neca” você pode responder “Você quer a boneca?”.

-Não fale o tempo todo com a criança, deixe espaço na conversa para que ela tenha oportunidade de responder a sua maneira.

-Conte histórias, cante músicas, leia livros, explore os objetos e sons do ambiente. A criança aprende e desenvolve as habilidades de fala e linguagem a partir dos estímulos e modelos que recebe desde o nascimento.

-Brinque, crie e abuse da criatividade com sucatas.

E por fim o profissional de fonoaudiologia pode te ajudar toda vez que você estiver em dúvida quanto ao desenvolvimento de fala e linguagem da criança. Não se deixe levar pela crença de que a criança amadurecerá, e com o tempo irá a aprender a se comunicar melhor. Muitas crianças podem precisar de ajuda nesse processo e quanto antes iniciar o processo de terapia direcionada ao desenvolvimento de linguagem, melhor e mais rápidos serão os resultados evitando assim que essa dificuldade possa atrapalhar a aquisição de leitura e escrita, por exemplo.

Muita gente acredita que os fonoaudiólogos trabalham apenas com crianças que “falam errado”. Embora isso seja comum, na prática clínica, o profissional pode fazer a diferença em muitas situações que vão desde um atraso de fala e linguagem, passando por dificuldades de leitura e escrita, gagueira, autismo, síndromes, malformações craniofaciais, paralisia cerebral, dentre outras.

É importante ressaltar que o fonoaudiólogo é o profissional responsável pela avaliação, diagnóstico e intervenção nos transtornos de fala e linguagem. Ele ajuda a pessoa e encontrar e utilizar a melhor maneira de se comunicar de forma funcional.

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Fontes:

Clipping nacional RNPI -17   23/04/20

https://www.globalfono,com.br 10/20

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/07/criancas-tem-atraso-na-fala-e-maior-dependencia-dos-pais-durante-pandemia.shtml

Colunista:

Silmara Canassa

Fonoaudióloga

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