MUITOS PAIS NÃO DEIXAM SEUS FILHOS CRESCEREM

Que mãe não sente saudade de uma fase de seu filho que ficou lá atrás?

É normal ver uma foto e achar que está tão grande e que praticamente não estou curtindo meu filho. Mas também é imprescindível corresponder aos avanços das fases de crescimento e deixar que a criança cumpra com suas obrigações, colocando algumas pequenas responsabilidades do dia a dia, como por exemplo fazer os deveres de casa, arrumar a cama, cuidar dos cabelos. Isso faz com a criança se sinta protagonista das suas ações, levando-a a se sentir responsável, autônoma e capaz.

Não se trata aqui de escravizar uma criancinha de três anos, mas de mostrá-la que é capaz de organizar algo que atrapalhou, que é capaz de resolver alguma coisa que a torne independente e amadureça ao se sentir útil.

O grande paradoxo é não querer que essa criança cresça! Sabendo que, ao se tornarem cada vez mais independentes, nossos filhos nos permitem retomar as noites de sono, os momentos de cuidado para nós mesmos, por que sofrer? Vejo aí uma pitada de egoísmo. Querer o filho dependente é uma forma de tentar segurar o tempo para quem sabe dar aquilo que sabemos estar devendo: tempo de qualidade com eles. Esse tempo pode ser de leitura de um bom livro, ida ao teatro, preparar juntos uma receita, ou seja, essa criança sente a necessidade de descobrir coisas novas e, muito mais, de receber essa atenção especial dos pais. São momentos juntos que farão diferença na aprendizagem da criança, levando-a a gostar de ler, de apreciar a cultura, de um diálogo, de preparar uma deliciosa sobremesa e saborear em família, enfim, como isso é importante e significativo na infância!!

Se você é uma daquelas que dizem: “não é isso, é que gosto tanto de bebê e ele cresceu tão rápido…” a resposta é mais simples ainda: que tal outro bebê? Deixe que seu filho cresça feliz e seguro – por ele!

E um alerta: será que você não está sofrendo tanto por antecedência e perdendo a oportunidade de curtir a fase atual? Aproveite o pequeno tempo que tiver e coloque qualidade nesses momentos: curta, ria, passeie, brinque, ensine e deixe-o amadurecer para a vida.

Quando essa criança está na escola, percebemos quais são aqueles pais que não contribuem para o amadurecimento dos filhos, quando diz com frequência: “tenho medo que meu filho rale o joelho, se machuque, não coma direito e etc”. Pode ter certeza que ele crescerá com esses pequenos acidentes ou incidentes, ou com algumas frustrações que o levarão a perceber que precisamos ser ágeis, precisamos saber lidar com situações problemas e resolvê-las, pois nem sempre os pais poderão estar ao lado dos seus filhos. O que importa mais é se ele vai conseguir resolver o conflito, remediar a situação e sentir que conseguiu passar pelo teste. Dê um voto de confiança e isso o fará sentir um herói e acima de tudo, seguro!

Isto é deixar seu filho crescer! Aconselhe, ensine, converse e principalmente, dê exemplos de boas condutas e atitudes e deixe seu filho amadurecer! Acompanhe, observe e apenas se perceber algo destoando e ou se pedirem ajuda, após esse voto de confiança, vocês estarão por perto para fazer uma intervenção. Ele precisa e você, pai e mãe, terão orgulho do filho que se tornou seguro e protagonista da sua própria história!

Colunista:

Iracy Carmanini

Psicopedagoga Clinica e Institucional;
Especialista em educação especial, deficiências auditiva e cognitiva, Alfabetização e Letramento.

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


Caso tenha alguma dúvida sobre o assunto, nos envie suas dúvidas clicando aqui.


O Psicopedagogo atua no sentido de prevenir e/ou detectar dificuldades de aprendizagem, promover sugestões metodológicas e educacionais de forma terapêutica: seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio, da família, da escola e da sociedade.