Você já ouviu falar sobre essa terminologia “NEBLINA CEREBRAL”?

Para os celíacos acredito que não seja algo tão estranho assim. Em algum momento alguns já devem ter ouvido falar e podem não ter tanta clareza do que significa. E é esse o objetivo deste artigo: falar um pouquinho do que é “NEBLINA CEREBRAL”

A Neblina Cerebral é um sintoma muito comum na Doença Celíaca, costumando ser descrita por uma confusão mental, falta de clareza, de foco visual e de esquecimento, sintomas que podem ser percebidos também por uma estafa mental, insônia, estresse dentro outros fatores; por isso, é importante ressaltar que não é um sintoma exclusivo da Doença Celíaca e muito menos sentida somente pelos portadores dela.

Por que a associação então com a Doença Celíaca (DC)?

A ligação a DC se dá devido à resposta de vários testes neuro cognitivos, sendo possíveis de ser detectados por meio de uma Avaliação Neuropsicológica e/ou por meio de outros exames de imagem que apresentam um comprometimento na capacidade de resposta nesses pacientes com o diagnóstico da DC, em especial no foco atencional, na memória, nas habilidades de funções executivas associadas à solução de problemas, dificuldade de aprendizado ou até mesmo de adquirir um novo conhecimento e linguagem.

E o que associa ainda mais esses sintomas a DC é quando eles apresentam significativa melhora, quando a Doença fica controlada e principalmente quando se inicia uma dieta com a retirada do glúten, que sempre se confirma por meio da realização de biópsias e de exames clínicos associados a DC.

Mas o que é a Neblina Cerebral?

Conforme citado acima, a Neblina Cerebral é uma expressão leiga usada para descrever sintomas mentais que afetam a memória, a concentração e a clareza do pensamento. Algumas pessoas a descrevem como estar “fora de foco”.

É como se a pessoa não enxergasse nada, se desprendesse até dos pensamentos do cotidiano, como, por exemplo, aquela hora que a pessoa está com a porta da geladeira aberta e ela não consegue se lembrar o que está fazendo ali.

Como, diminuir os sintomas da Neblina Cerebral?

Caso esteja vivenciando com uma certa frequência os sintomas da Neblina Cerebral é importante procurar um médico para entender a causa e saber o melhor tratamento.

Porém, existem algumas alternativas de ação que o próprio paciente pode tomar para melhorar os sintomas.

  • Sono suficiente e com qualidade;
  • buscar períodos de descanso regulares durante atividades mentais exigentes;
  • utilizar técnicas de relaxamento, como meditação;
  • exercitar-se regulamente;
  • ter uma dieta equilibrada e saudável;
  • aprender a gerenciar o estresse e a ansiedade;
  • evitar o consumo de álcool e drogas;

– para os que possuem uma enfermidade, assim como nós celíacos, é importante que esses sintomas quando apresentados, sejam acompanhados por um especialista, e se necessário buscar uma Avaliação Neuropsicológica para entender melhor as áreas cognitivas que possam estar sendo prejudicadas.

É importante ressaltar que pouco se sabe sobre essas deficiências cognitivas transitórias, e que estas ligeiras degradações das funções cognitivas classificadas como “névoa ou neblina cerebral” ainda não são formalmente reconhecidas como uma condição médica ou psicológica. De acordo com estudo realizado (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32857796/), pesquisadores avaliaram por meio da ressonância magnética o que acontece no cérebro de pessoas com sensibilidade ao glúten antes de duas horas e após o consumo de um lanche.

Resultados demonstraram 80% de relatos associados ao desconforto abdominal, fadiga em 70%, dores de cabeça em 51%, névoa mental em 48%, formigamentos 19%, problemas de equilíbrio 31% e mudanças na massa branca cerebral em 60%.

E, conforme citado acima, por que o glúten pode ser um causador da Névoa Cerebral?

Conforme o Especialista Dr Fernando Valério, em um dos seus artigos sobre o assunto, relata que “quando existe uma resposta autoimune ao glúten, há um aumento da liberação de mediadores inflamatórios que podem interferir na barreira cérebro-sanguínea, causando danos à função cerebral”.

O que eu como celíaca entendo é que, por ser uma doença “camaleão”, da qual após o diagnóstico podemos ter vários sintomas, é importante sempre termos o cuidado em realizar exames que nos façam acompanhar o controle da doença e, por fim, sempre estarmos atentos a novos sintomas.

E o acompanhamento neuro cognitivo não pode ser deixado de lado. Na correria do dia a dia, nas tomadas de decisões podemos sim desenvolver uma leve fadiga e dificuldade de concentração, mas para quem já possui diagnóstico da DC esse olhar deva ser ainda mais cuidadoso.

Então não deixe de procurar ajuda psicológica e neuropsicológica, quando necessário, para acompanhar ou classificar melhor os sintomas apresentados, pois há testes específicos que podem ajudar na classificação de sintomas como a fadiga.

Uma coisa que aprendi como celíaca é não negligenciar. Temos sempre que estarmos atentos a possíveis evoluções que a doença pode causar.

Mulher sorrindo.Colunista:

Roberta Loureiro

Neuropsicóloga

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.

Referências:

1-As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do Instituto Oncoguia, do Museu da Vida – Fiocruz e da SOBRAC – Sociedade Brasileira do Climatério.

2-Fonte:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jgh.13706/full


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