Por que nos comparamos?

Comparações diárias podem elevar o estresse, ansiedade e até causar depressão.


Figura 1: nadando contra a maré, ser diferente em um mundo que o diferente é considerado errado.

“Nunca se compare com ninguém neste mundo. Caso o faça, entenda que você insultará a si mesmo.”- Bill Gates

Mas afinal de contas por que nos comparamos tanto?

A comparação é uma forma de nos avaliarmos, assim, no dia a dia, comparamos nosso emprego com o de conhecidos, os resultados que obtivemos na empresa com os dos colegas, e até mesmo salários. Estamos condicionados a fazer comparações o tempo todo e nem percebemos. Na família, no trabalho, na profissão, na sociedade.

Desde cedo, pais e professores estimulam a comparação, na esperança de motivar as crianças, separando os bons dos ruins, os melhores do restante. Há escolas que até mesmo distribuem os alunos nas salas, segundo suas notas, essas pequenas coisas fazem com que fique enraizado em cada indivíduo “o se comparar-se”.

Figura 2: pensamentos automáticos sem a reflexão gera a baixa autoestima.

Complexo de Inferioridade

Quando você está diante de um colega de trabalho e sempre acha que o que ele faz e desempenha na empresa é melhor e tem mais valor do que o você faz, observe melhor a situação e fique atento. Essa prática é denominada complexo de inferioridade. O termo foi criado por um psiquiatra chamado Alfred Adler, que acreditava que pessoas que possuem sentimentos de incapacidade ou que não conseguem resolver sozinhas e de forma eficaz os problemas, se sentem inferiores às demais ao seu redor. É o que atualmente conhecemos por baixa autoestima.

O complexo de inferioridade, em grande parte, se origina na infância, em três situações:

Rejeição: a criança não encontra na família, ações para se desenvolver emocionalmente;

Superproteção: a criança que é excessivamente mimada, desenvolve na vida adulta, um sentimento de insegurança;

Inferioridade Orgânica: a pessoa se sente inferior por conta de algum aspecto físico e acaba transferindo isso para outros âmbitos da vida.

Como nasce o sentimento de inadequação

Quando a comparação é excessiva pode se tornar um problema. Os resultados é a queda da autoestima, a perda da identidade, o aumento do grau de ansiedade e de insatisfação com relação à vida. Diante disso leva o individuo a perder o foco e se questionar sobre as suas escolhas e sobre a sua vida.

Insegurança e como ela afeta a nossa vida

A pessoa insegura se enxerga como inexperiente, inábil, vulnerável e fraca.

Figura 3: insegurança constante adoece.

A insegurança nada mais é do que um sentimento de inadequação, ou de ameaça, e quem nunca a teve, que jogue a primeira pedra. Este sentimento de desconfiança a nós mesmos de vez, em quando é natural sentirmos. Diferente da insegurança crônica que vem para desestabilizar a nós mesmos e as nossas relações.

O indivíduo inseguro precisa da aprovação do outro, não tem a confiança do que é capaz de fazer. Se não fosse assim, iria se reconhecer nas coisas boas que tem. Essa falta de confiança é passada para as outras pessoas, que podem não confiar também no que ela pode desempenhar.

Como identificar se você é inseguro?

Pessoas inseguras convivem lado a lado com o medo. Medo intenso de falhar e de não corresponder às expectativas dos outros, seja do parceiro, do pai, do chefe ou de qualquer outra pessoa.

Sintomas de pessoas inseguras

  • Necessidade excessiva de mostrar certa superioridade, mesmo quando mentalmente não se sentem assim;
  • Demonstração de muita segurança ao exibirem suas conquistas, até de forma exagerada e repetitiva;
  • Medo incontrolável de arriscar algo ou um contato com alguém;
  • Falta de capacidade de negar. Pessoas inseguras, na maioria dos casos, não conseguem dizer não. Isso acontece porque enxergam a necessidade de agradarem sempre, devido ao medo da rejeição;
  • Incapacidade de reconhecer o próprio potencial e habilidades;
  • Pessoas inseguras enxergam somente as limitações, sempre o lado negativo de todas as situações;
  • Reclamação constante sobre qualquer coisa;
  • Perfeccionismo acima do normal;
  • Forte tendência à procrastinação, já que o medo de errar é constante e a pessoa acaba deixando tudo para última hora devido ao receio da falha;
  • Grande dificuldade em receber e compreender críticas de colegas de trabalho, amigos e familiares;
  • Busca desesperada por reconhecimento de terceiros;
  • Comparações constantes com colegas de trabalho e amigos. Pessoas inseguras fazem isso a todo o momento e ressaltam apenas os pontos positivos de terceiros;
  • Dificuldade em expor opiniões e ideias.

Figura 4:a pessoa insegura ela tem medo o tempo todo!

Como tratar a insegurança?

Livrar-se de suas inseguranças não é uma tarefa fácil porque é um comportamento complexo que deriva de diferentes motivos pessoais. No entanto, é possível eliminar suas inseguranças, seguindo alguns direcionamentos como base:

  1. Não perseguir a perfeição: ao invés, melhore a sua pessoa gradativamente;
  2. Concentre-se na sua força: não nas suas fraquezas;
  3. Trabalhe diariamente a sua autoconfiança;
  4. Pense positivo: identifique os pensamentos negativos e livre-se deles;
  5. Não se culpe por acontecimentos infelizes: tire uma boa lição de cada experiência desagradável;
  6. Pare de se comparar com os outros: ou com o que os outros têm e você não;
  7. Concentre-se em seus objetivos pessoais: nunca faça algo na intenção de superar alguém que não seja você mesmo.

Não se comparar e olhar para si mesmo(a):

Mudar esse hábito de se comparar não significa que será fácil, mas é uma tarefa possível de ser realizada principalmente com ajuda de um profissional adequado, como o psicólogo.

Pois a psicoterapia, atua na maneira como o indivíduo pensa sobre determinadas situações e consequentemente no comportamento. Nesse caso a psicoterapia irá atuar no pensamento automático negativo que o sujeito tem em relação a si mesmo que o faz se comparar o tempo todo.

Esses pensamentos são absorvidos diariamente pelo sujeito até que se torna uma verdade, ou seja, o fato de se comparar e se julgar como inferior nem sempre esteve ali, ele foi aprendido, e portanto, pode ser desconstruído.

Se você se compara com o outro e tem pensamentos negativos sobre esse ato, pode ser que você precise de ajuda psicológica para conseguir enxergar suas qualidades e perceber que você pode ser tão bom ou até melhor que o outro, sem precisar desmerecê-lo.

Colunista:

Johny Santos

Psicólogo

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.
Sigmund Freud

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