Posso Sentir Raiva?

Sim, você pode sentir Raiva!

A raiva é sentimento, uma emoção humana normal e habitualmente saudável.

Mas afinal, o que é a raiva?

De modo geral, a raiva define-se como um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Alguns estudiosos em psicologia apontam o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada. Este sentimento pode ser despoletado por acontecimentos externos e internos. Pode ficar-se zangado/com raiva em relação a uma pessoa específica ou acontecimento. A raiva pode ainda ser causada por preocupação excessiva ou focalização nos problemas pessoais. As memórias de acontecimentos traumáticos ou marcantes também podem desencadear esta emoção.

Sinais de alerta:

Quando as pessoas ficam com raiva, tendem a experienciar variados pensamentos, sentimentos e reações físicas. Para alguns, os sentimentos tornam-se tão arrebatadores que parecem estar “prestes a explodir”. Outros podem não saber que estão muito zangados com a situação, mas sentem-se doentes, culpados ou reagem exageradamente a outras situações.

Algumas expressões diretas e indiretas de raiva:

Sinais diretos: elevação do volume da voz, praguejo, dores de cabeça, dores de estômago, aperto na garganta, aumento do ritmo cardíaco, aumento da pressão sanguínea, punhos cerrados, ameaças, violência, pressão, hostilidade, fúria, ressentimento.

Sinais indiretos: excesso de sono, fadiga crónica, ansiedade, entorpecimento, depressão, aborrecimento, exagero, perda de apetite, choro, crítica constante, piadas más ou hostis, abuso de álcool ou drogas.

Algumas pessoas podem experienciar esses sinais gerais de raiva. Saber identificá-los é o primeiro passo para melhor lidar com esse sentimento. Alguns sentimentos e pensamentos ocorrem quando a raiva surge; outros surgem à medida que a raiva aumenta.

A raiva em excesso pode ser Doença?

O TEI- Transtorno Explosivo Intermitente se caracteriza pela incapacidade de administrar os impulsos raivosos. Indivíduos com essa condição têm comportamentos agressivos e explosões de raiva desproporcionais às situações. A fúria é tão intensa que eles perdem o controle sobre si mesmos.

Esses indivíduos acometidos por essa patologia podem ter interpretações equivocadas dos acontecimentos em razão da raiva. Por isso, aparentemente parecem estar brigando com alguém ou irritados com uma situação. São colocadas como “pessoas difíceis” nos ambientes que costumam frequentar.

Esses indivíduos gritam, xingam, quebram objetos, ferem animais e podem partir para a agressão física dependendo da situação. Quando a raiva desaparece, é comum sentirem arrependimento, vergonha ou culpa por suas ações.

Este transtorno tende a aparecer com as mudanças da adolescência, geralmente após os 16 anos, e se consolidar na vida adulta. Entretanto, os primeiros sintomas também podem aparecer mais tarde, entre os 25 e 35 anos. Além disso, é uma condição mais recorrente em homens.

O TEI pode acarretar alguns transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e ansiedade. Do mesmo modo, o uso prolongado de substâncias também desencadeia esta condição.

Caso percebe dentro desse contexto é importante buscar ajuda especializada!

Mas como lidar com a Raiva?

Você é o responsável por seus sentimentos: Você não pode controlar as situações, mas pode escolher como reagir a elas;

Raiva e agressividade não são a mesma coisa: A raiva é um sentimento; agressividade é um estilo de comportamento. É possível administrar a raiva de forma assertiva a agressão não é a única alternativa;

Invista no autoconhecimento: Reconheça as situações, os ambientes, as pessoas, fatos e comportamentos que lhe despertam raiva. “Encontre seus próprios botões para saber quando apertá-los”.

Reflita sobre o papel que a raiva exerce em sua vida: Anote em um papel tudo o que o irrita e o que gostaria de fazer a respeito;

Não se “submeta” a ter raiva: Se a sua temperatura sobe quando você tem de enfrentar uma fila no banco ou enfrenta um congestionamento no trânsito, busque formas alternativas de fazer essas coisas (transações bancárias via internet, outro roteiro para o trabalho ou fazer alguma coisa enquanto espera;

Desenvolva e pratique formas alternativas de lidar com a raiva de modo que elas estejam disponíveis quando precisar usá-las: seja espontâneo sempre que puder; não guarde ressentimentos, expresse sua raiva de forma direta, sem sarcasmos nem insinuações; deixe que sua expressão facial, gestos e tom de voz transmitam os seus sentimentos; evite xingar e humilhar os outros, não seja arrogante ou hostil, e esforce-se verdadeiramente em encontrar uma solução;

Se você tentou e não conseguiu, ou acredita que há elementos maiores por trás da sua raiva, como questões do passado, a psicoterapia pode ajudá-lo(a) a encontrar um mecanismo de controle. Até os ataques de fúria mais autodestrutivos podem ser controlados com o acompanhamento psicológico.

Durante a psicoterapia, o profissional de saúde mental vai buscar as causas para as manifestações ineficientes da emoção, bem como desenvolver estratégias para você praticar (sim, como um treino) a ser uma pessoa mais zen e ter o autocontrole que você merece!

Colunista:

Johny Santos

Psicólogo

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.
Sigmund Freud

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