Sentimentos e Emoções na Educação Infantil

Encorajar uma criança a falar de seus sentimentos não é tarefa fácil. Quando pais e professores estabelecem regras ou combinados e, em algum momento, esse combinado for esquecido (como empurrar o colega ou morder o amigo do lado), pode-se então propor-se uma atividade, encorajando as crianças a demonstrarem como fica a “carinha” daquela que foi mordida, por exemplo. E uma expressão triste explica mais que muitas palavras… O contrário também deve ser trabalhado: quando uma criança ajuda a outra a se levantar porque caiu, essa deve ficar com uma carinha bem feliz, porque teve um amigo que a ajudou.

Quantas vezes proporcionamos às crianças um aprendizado por meio do modelo de boas atitudes, como quando ajudamos uma senhora com as compras até o carro, por exemplo? E mostrar a expressão de alegria que ficou aquela senhora quando ajudada? E levá-la a perceber a expressão de alegria que você também ficou por ajudar?

Validar a expressão de sentimentos encoraja as crianças a se expressarem verbalmente, dando sentido para que elas possam nomear a expressão dos amigos diante de atitudes boas e das atitudes inconvenientes.  Você pode orientar uma criança a notar sentimentos de um colega e sugerir possíveis soluções. Por exemplo: “Mariana está chorando. Ela está triste porque ninguém quer brincar com ela. Eu penso que ela ficaria feliz se um coleguinha a chamasse para brincar”.

Falar com as crianças sobre seus medos, perdas e tristezas também as encorajam a lidar com o sentimento. E é possível simplesmente que aponte para o rostinho do colega que demonstra alegria, tristeza, susto, raiva ou medo para dizer como ele está se sentindo. Ao observar a expressão de uma criança e percebendo certa dúvida, tristeza ou timidez, e tomar uma atitude de ouvir dessa criança sobre o que a está chateando, é uma forma de demonstrar o quanto o outro é importante para nós. É um momento onde a criança se sente valorizada e amada, fortalecendo assim laços com o professor ou pais e ainda, estabelecendo uma relação de confiança e reconhecimento dos seus sentimentos.

Se algum dia a criança demonstrar raiva e precisarmos esclarecer esse sentimento, porque queria sair com uma roupa e mamãe não deixou ou o papai brigou porque demorou a sair do banho, ela começará a entender que a vida não é feita apenas de momentos bons e do jeito que se quer, mas existem dias que ficaremos frustrados e tristes por não realizar-se algo e que torna-se necessário a adaptação e aceitação que existem altos e baixos na vida.

Reconhecer, pensar e aceitar algumas situações é sinal de progresso na criança. Se esses momentos que parecem difíceis forem nomeados e compreendidos hoje, certamente no futuro, esses que serão adolescentes não sairão por aí descontando sua raiva ou frustração em alguém que nada tem relação com a crise que estão vivendo.

Amadurecimento e aceitação fazem parte do treinamento e da estimulação oferecida nessa faixa etária, quando estão em formação da personalidade e com as janelas da aprendizagem escancaradas para a vida.  Veremos crianças e adolescentes saudáveis e tolerantes, tendo relacionamentos sadios e duradouros, sabendo colaborar e respeitar a dor do outro.

Portanto, lembre-se que a percepção das emoções é um grande passo para a construção de habilidades sociais, solidariedade, empatia e amizade. Se uma criança percebe e entende um sentimento por trás de um rostinho, é sinal que teve trabalhada sua sensibilidade ou passou por situações onde foi ouvida e compreendida.

Aproveite situações do dia a dia para relembrar e colocar em prática o aprendizado emocional. De que adianta um grande sábio que não reconhece um sentimento ou a necessidade do outro? Não teria nenhum valor, não acham?

Colunista:

Iracy Carmanini

Psicopedagoga Clinica e Institucional;
Especialista em educação especial, deficiências auditiva e cognitiva, Alfabetização e Letramento.

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