Tontura: Como Tratar

Quem nunca se sentiu meio zonzo, sem equilíbrio e sem saber exatamente por quê? Esse é um sintoma muito genérico e que pode ter diversas origens. Por isso, hoje vamos falar sobre uma das causas desse problema e o que fazer em caso de tontura.

O equilíbrio corporal é mantido através de um complexo sistema que trabalha ininterruptamente para a manutenção da estabilidade corporal, chamado Sistema Vestibular.

Para formar o equilíbrio, o sistema nervoso central utiliza informações advindas dos labirintos (localizados na orelha interna), dos olhos e do sistema proprioceptivo do corpo (principalmente tendões e músculos) para compreender a posição e/ou movimento corporal realizado e, então, gerar os reflexos necessários para a manutenção da estabilidade do corpo (reflexo vestíbulo-espinhal), estabilidade da cabeça (reflexo vestíbulo-cólico) e estabilidade dos olhos, para que a imagem formada na retina se mantenha nítida (reflexo vestíbulo-ocular). Por outro lado, a tontura é percebida pelo indivíduo quando há falha ou incongruência nesse conjunto de informações necessárias para a manutenção do equilíbrio, e pode ser do tipo rotatória ou não rotatória, sensação de queda, lateralidade ou dificuldade de se localizar no espaço, sensação de visão borrada, entre outros.

Há suspeita de que a tontura tem origem no sistema vestibular quando vem associada a sintomas como náusea, vômitos, palidez, sudorese, zumbido, sensação de plenitude auricular (“ouvido tampado”; pressão nos ouvidos), alterações na acuidade auditiva, e só uma avaliação clínica criteriosa  e exames específicos para avaliação da função auditiva e do sistema vestibular  é que se pode diagnosticar uma labirintopatia (popularmente conhecida como labirintite). Após o diagnóstico, há algumas opções de tratamento, que incluem: medicações para controle dos sintomas associados, medidas de melhoria de hidratação e de educação alimentar para melhor controle metabólico (encaminhamento para nutricionista e endocrinologista) e reabilitação vestibular.

A reabilitação vestibular consiste em uma prática realizada por fonoaudiólogos com o intuito de auxiliar o sistema nervoso central dos pacientes com alterações de equilíbrio e/ou tontura a realizar a compensação vestibular. Esse mecanismo de neuroplasticidade já ocorre normalmente, mas é otimizado através de exercícios específicos, simples, que o paciente poderá ser orientado a repetir em casa, para que recupere a estabilidade na realização das atividades de vida diária e consequente aumento da autonomia e qualidade de vida dos pacientes. A reabilitação vestibular objetiva abolir ou, ao menos reduzir, a sensação de tontura desencadeada por movimentos, aumentar a estabilidade corporal estática e dinâmica, favorecer a manutenção da acuidade visual durante as movimentações da cabeça e abolir ou minimizar sintomas associados à tontura, em pacientes de todas as idades.

 

É importante destacar que o diagnóstico nosológico deve preceder a intervenção através de reabilitação vestibular, uma vez que há casos de rápida resolução através de manobras específicas para o reposicionamento de cristais de cálcio deslocados na orelha interna (quadro bastante corriqueiro na prática otoneurológica e que responde de imediato ao tratamento, com possibilidade de remissão da tontura em apenas uma sessão de reabilitação vestibular). Há, ainda, a possibilidade de que a intervenção antes do diagnóstico venha a mascarar sintomas e retardar o diagnóstico de alterações que requeiram abordagem específica (por exemplo, doenças degenerativas ou psiquiátricas).

Há diversos protocolos de exercícios de reabilitação vestibular, selecionados pelo profissional de acordo com o diagnóstico etiológico de cada paciente, perfil individual, desempenho funcional nos testes de equilíbrio estático e dinâmico, presença de comorbidades, acesso a tecnologias disponíveis, entre outros fatores, no sentido de tornar o tratamento (em geral curto) o mais eficiente e prazeroso possível. Reduzir a tontura não só caracteriza um incremento na qualidade de vida dos pacientes, como também viabiliza maior autonomia e prevenção de quedas, fator importante principalmente na terceira idade, em virtude da fragilidade óssea normalmente apresentada e das complicações decorrentes aos pacientes imobilizados por grandes períodos devido a fraturas ósseas.

Competindo com “dor de cabeça” e “dor nas costas”, a tontura é queixa muito comum em consultórios médicos e acomete mais mulheres que homens. Aproximadamente 40% dos adultos queixam-se de tontura em alguma ocasião de suas vidas, 81% a 91% dos idosos atendidos em ambulatórios de geriatria e 1% das crianças assistidas em ambulatórios de neuropediatria. Uma das formas de abordagem para recuperação das chamadas “tonturas” é a Reabilitação Vestibular (RV).

Em caso de tontura, procure um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo para realizar uma avaliação do sistema vestibular e poder retornar ao seu equilíbrio.

Vale lembrar que considerando as competências específicas do profissional fonoaudiólogo estabelecidas na Lei nº6965/81, e de acordo com a legislação do Conselho Federal de Fonoaudiologia, tanto o diagnóstico, quanto a avaliação do sistema vestibular e terapia fonoaudiológica em equilíbrio/tontura, são áreas de competência do fonoaudiólogo.

Colunista:

Silmara Canassa

Fonoaudióloga

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