Tricotilomania 

Você sabe o que é a Tricotilomania?

É o comportamento recorrente e incontrolável de arrancar fios ou tufos de cabelos envolvendo também os pelos do corpo (sobrancelhas, cílios, braços, perna, barba, etc.), do grego trico = cabelo + tilo = puxar + mania.

Nos primeiros anos de vida, a atitude de arrancar cabelos é frequentemente uma manifestação passageira, com pouca gravidade que é associada à busca de conforto que vem acompanhada de outros comportamentos com a mesma finalidade, como por exemplo, a sucção do dedo. Porém ao se manifestar mais tardia, pode estar associada aos distúrbios da ansiedade, acompanhados de altas cargas de estresse, depressão, problemas emocionais, com álcool e outras drogas e pelo transtorno obsessivo compulsivo. É na adolescência que a pessoa se torna mais vulnerável ao surgimento do distúrbio, que acomete mais as mulheres do que os homens e pode instalar-se apenas na vida adulta.

Os portadores referem sentir uma urgência ou necessidade incontrolável de arrancar os próprios pelos. Frequente encontrar também pessoas que ingerem os fios de cabelo arrancados ou parte desses, caracterizando a tricofagia. As pessoas portadoras do distúrbio se referem a um período de tensão crescente que antecede à pulsão de puxar e arrancar o pelo ou fio de cabelo, seguido por sensação de alívio e prazer, assim que o desejo é atendido.

Há casos em que o ato é consciente podendo existir um ritual, a pessoa seleciona os fios que pretende arrancar de acordo com um critério pré-estabelecido, por exemplo, cabelos brancos, crespos, rebeldes, muito grossos ou finos demais e passa a puxá-los com as mãos, ou utilizando objetos que facilitem o processo.  Porém, parte dos portadores desse transtorno psiquiátrico, age automaticamente, sem se dar conta do que estão fazendo, ocupados e distraídos com atividades sedentárias, como assistir a um programa na TV, lendo, conversando ao telefone ou na direção de um automóvel.

Como mencionamos, a tricotilomania é o impulso incontrolável para arrancar os cabelos, prática precedida por nível crescente de ansiedade enquanto não o faz ou quando tenta resistir à pulsão interna; seguida por sensação de alívio e prazer depois que os fios são arrancados.  Como o efeito é passageiro, a pessoa é levada a repetir o comportamento compulsivamente, o que resulta em perdas capilares extensas e evidentes, que podem trazer sofrimento e prejudicar o desempenho da pessoa em diferentes situações.

O tratamento para esse distúrbio é multidisciplinar e envolve profissionais de diferentes especialidades (dermatologistas, psicólogos, psiquiatras e clínicos). Embora o assunto ainda demande estudos clínicos e epidemiológicos, a combinação da terapia cognitivo-comportamental (TCC) com alguns medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor tem sido utilizada para controle do impulso e alívio dos sintomas da Tricotilomania.

Fontes:

www.scielo.brTrichotillomania: difficulties in diagnosis and report of two clinical cases. www.drauziovalella.uol.com.br

Colunista:

Claudia Pinho

Psicóloga

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