Um Grito de Alerta – As Crianças e as Conversas Privadas dos Adultos…

Ao contrário do que se pensa, ingenuidade não é surdez. Isso quer dizer que uma criança pode até não compreender o significado das palavras, mas os gestos que acompanham cada palavra, ou frase, ou a síntese comportamental de um diálogo e seus respectivos comentários e desdobramentos, isso elas conseguem captar com invejável precisão.

Para uma criança, em primeiro lugar vem a expressão e o gesto, e apenas depois, as palavras. Por isso ela é capaz de associar as palavras aos estados emocionais, mesmo sem saber o que significam.

Após os três anos de idade, quando a individualidade para ela já é fato consumado, os gestos e suas respectivas expressões verbais tenderão a fazer parte do seu repertório idiossincrásico; darão lastro a sua personalidade, que aos poucos vai tomando forma. Por isso mesmo, aquilo que iremos colocar dentro daquela mente vazia fará toda diferença.

Criança sempre aprende de uma fonte, de alguém que já sabe, de alguém que já aprendeu. Mas, ao contrário do adulto esclarecido, mesmo que este tenha pouco discernimento, ela não possui nenhum. Assim, errado e certo, dentro daquele cérebro em busca de conteúdo para dar forma aos seus pensamentos, tudo é uma mesma coisa, ou seja, informação, conteúdo. E para ela, portanto, tudo, sem exceção, é instrução útil.

Se o teor de uma conversa proporciona satisfação aos adultos, não importa qual seja o conteúdo, para ela é coisa positiva. Logo, enquanto cresce, tenderá a encontrar também naquilo, à medida que passa a compreender, um objetivo digno de ser alcançado, não importando o contexto, consequências ou desdobramentos.

Lembre-se, criança ainda não sabe. Nós sabemos. E elas aprendem conosco, coisas negativas ou positivas. Podemos aprender com os erros, mas não temos meios para desfazer um erro cometido, nem como restaurar suas consequências.

Com um senso de ética ainda carente de estruturação, as informações que assimila do seu entorno, do exemplo dos seus pais, entes mais próximos e professores, irão ajudar nesse processo que é de aquisição. Sua ética será a das pessoas que são referências de vida, e os erros que cometer enquanto lhe falta o devido discernimento, estes não poderão ser anulados. Mal, depois de feito, não pode ser desfeito. Podemos tentar compensar uma falta, mas jamais seremos capazes de repor os malefícios causados a partir de uma falha cometida.

Pela expressão facial, séria, brava ou sem afetividade, a criança já faz a leitura e encarrega de transportar essa emoção negativa para o setor de aprendizagem afetiva, trazendo-a à sua memória afetiva e cognitiva cada vez que a observa novamente. Portanto, como exemplo, não é a matemática que é difícil, mas a expressão ou, melhor dizendo, a didática usada, que se encarrega de tirar o prazer de aprender ou a importância da matemática na nossa vida.

A compensação de um erro jamais terá o efeito de desfazer suas consequências e eventuais malefícios causados, o que inclui os danos materiais e os emocionais. Pense sempre nisso.

Adaptação do referencial do autor: Alberto J. Filho

Colunista:

Iracy Carmanini

Psicopedagoga Clinica e Institucional;
Especialista em educação especial, deficiências auditiva e cognitiva, Alfabetização e Letramento.

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